Fado ao Carmo

Madragoa · São Bento · Chiado · Mouraria · Graça · Alfama

Roteiro do fado em Lisboa

Doze paragens a pé, da rua onde nasceu a Severa ao Museu do Fado, com duas casas de fado pelo caminho.

  • 12 paragens
  • 7,4 km a pé
  • 1 h 53 de caminho

O fado nasceu nos meios populares da Lisboa do século XIX e em 2011 entrou na lista do Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO. Este roteiro liga os sítios onde essa história ainda se vê, da Madragoa a Alfama. Toque numa paragem do mapa para ler a história, ver as fotografias e abrir o caminho no telemóvel.

rio TejoMADRAGOASÃO BENTOMOURARIAGRAÇAALFAMA12 min23 min11 min7 min15 min13 min10 min9 min4 min8 min1Rua VicenteBorga2Casa AmáliaRodriguesFado ao Carmo Chiado3Escadinhas deS. Cristóvão4Rua do Capelão5Largo da Severa6Miradouro daSenhora do Monte7Amália em calçada8Panteão Nacional9Igreja de Santo Estêvão10Museu do FadoFado ao CarmoAlfamario Tejo12345678910

Mapa desenhado à mão, não está à escala.

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O cartaz do filme A Severa, 1931

Foto: autor desconhecido, domínio público

Paragem 1Madragoa

Rua Vicente Borga

onde nasceu a Severa

Segundo a tradição, Maria Severa Onofriana nasceu nesta rua a 26 de julho de 1820, no n.º 33, onde a mãe tinha uma taberna. A rua chamava-se então Rua da Madragoa e só ganhou o nome atual em 1859.

O Museu do Fado apresenta a Severa como a figura de referência da comunidade fadista. Viveu só 26 anos e a vida dela deu uma peça de teatro e um filme.

Curiosidades

  1. A lápide no prédio foi posta em 2013, nos 193 anos do nascimento da Severa, pela Câmara de Lisboa e pela Junta de Santos-o-Velho.
  2. Vicente Borga é a forma portuguesa de Vicente Borchers, um comerciante alemão do século XVIII que morou nesta rua.
  3. O filme A Severa, de Leitão de Barros, estreou em 1931 e foi o primeiro filme sonoro português.

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Novo Fado da Severa · Dina Teresa

Do filme A Severa, de 1931. Dina Teresa fazia de Severa e estreou este fado no cinema.

Letra e música de Júlio Dantas e Frederico de Freitas

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Morada
Rua Vicente Borga, 33, Madragoa
Entrada
Rua pública, acesso livre
Como chegar
12 min
Até à próxima paragem850 m a pé, pela Rua das Francesinhas e pela Rua de São Bento

Foto: Jens Cederskjold, CC BY-SA 2.0

Paragem 2São Bento

Casa-Museu Amália Rodrigues

a casa onde Amália viveu, hoje museu

Amália comprou esta casa da Rua de São Bento em 1955 e viveu aqui até morrer, a 6 de outubro de 1999.

A Fundação Amália Rodrigues, criada por vontade dela em testamento, abriu a casa ao público a 23 de julho de 2001, o dia em que faria 81 anos. A visita é sempre guiada e mostra as salas da casa e os objetos dela.

Curiosidades

  1. As visitas duram cerca de 40 minutos e fazem-se em português, inglês e francês.
  2. Amália estreou-se como fadista profissional em julho de 1939, no Retiro da Severa.
  3. A casa faz parte da rede europeia de Casas e Museus de Músicos.

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Estranha Forma de Vida · Amália Rodrigues

Uma das primeiras letras escritas pela própria Amália, gravada em 1962, quando já vivia nesta casa.

Letra e música de Amália Rodrigues e Alfredo Marceneiro

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Morada
Rua de São Bento, 193
Horário
Terça a domingo, 10h00 às 18h00. Última visita às 17h20
Entrada
Adulto 9 €. Grátis até aos 12 anos
23 min
Até à próxima paragem1,5 km a pé, pela Rua da Imprensa Nacional
A sala

Fado ao CarmoChiado

Fado ao Carmo Chiado

fado ao vivo todas as noites

A dois passos do Largo do Carmo. Fado tradicional com fadistas profissionais, guitarra portuguesa e viola, e petiscos portugueses à carta.

A primeira de duas paragens para ouvir fado, a caminho entre São Bento e a Mouraria.

Morada
Rua da Condessa, 52
Horário
Todos os dias, 19h00 à 01h00
Fado
Ao vivo a partir das 20h30
11 min
Até à próxima paragem750 m a pé, pela Calçada do Carmo e pela Rua de Santa Justa
As escadinhas

Foto: Hartmut Schmidt, CC BY-SA 4.0

Paragem 3Mouraria

Escadinhas de São Cristóvão

a subida da Baixa para a Mouraria

As escadinhas sobem da Baixa para a Mouraria e são o caminho mais curto para o bairro onde o fado cresceu. Numa das paredes esteve, de 2012 a 2024, o mural Fado Vadio, com a Severa, o Fernando Maurício e o Franklin à mesa, numa noite de fado vadio, o fado cantado por amadores, com pão, água e letras de fados em cima da mesa.

Pintaram-no Nuno Saraiva, Hugo Makarov, Mário Belém, Pedro Soares Neves, UAT e Vanessa Teodoro, a convite da Associação Amigos de São Cristóvão. Em agosto de 2024 o prédio ardeu e foi demolido, e o mural desapareceu com ele. Fica a fotografia e ficam as escadas, que continuam a levar à Mouraria.

Curiosidades

  1. Fado vadio é o fado cantado por amadores, por gosto, sem ser profissão.

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Há Festa na Mouraria · Mariza

Um fado com o nome do bairro, na voz de Mariza, que cresceu na Mouraria.

Letra e música de António Amargo e Alfredo Marceneiro

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Morada
Escadinhas de São Cristóvão, Mouraria
Entrada
Espaço público
Como chegar
7 min
Até à próxima paragem500 m a pé, pelo Poço do Borratém
Fernando Maurício, por Camilla Watson

Foto: Camilla Watson, CC BY-SA 4.0

Paragem 4Mouraria

Rua do Capelão

a rua da Severa e do Fernando Maurício

A Severa viveu nesta rua da Mouraria e morreu aqui a 30 de novembro de 1846, com 26 anos. Está sepultada no Cemitério do Alto de São João.

Na mesma rua nasceu, a 21 de novembro de 1933, Fernando Maurício, a quem chamavam o Rei do Fado da Mouraria.

Na esquina com a Rua da Mouraria está o monumento Mouraria Berço do Fado, um bloco de mármore com uma guitarra portuguesa esculpida, inaugurado em 2006.

Curiosidades

  1. Em criança, nos anos 1940, Fernando Maurício cantava em cima de um barril numa taberna do bairro.
  2. Em 2013 a fotógrafa Camilla Watson afixou nas paredes da Mouraria 26 retratos de fadistas impressos em madeira. A exposição chama-se Retratos do Fado.
  3. A rua já aparece com este nome em 1551.

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Na Mouraria · Fernando Maurício

Fernando Maurício nasceu nesta rua e cantou o bairro a vida toda.

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Morada
Rua do Capelão, Mouraria
Entrada
Rua pública, acesso livre
Como chegar
1 min
Até à próxima paragem30 m a pé, no fim da mesma rua
A lápide de 1989

Foto: Tiago Vasconcelos, domínio público

Paragem 5Mouraria

Largo da Severa

a casa da Severa

O largo é um troço da Rua do Capelão que recebeu o nome da Severa em dezembro de 1989. No n.º 2 fica a casa onde, segundo a tradição, ela viveu.

A lápide na fachada é de 3 de junho de 1989 e diz que a Severa foi considerada na época a expressão sublime do fado.

Curiosidades

  1. A lápide veio primeiro e o nome do largo seis meses depois.
  2. A peça A Severa, de Júlio Dantas, estreou em 1901 e muda bastante a história real.

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Maria Severa · Fernanda Maria

Começa num beco da Mouraria e canta a Severa.

Letra e música de José Galhardo e Raul Ferrão

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Morada
Largo da Severa, 2, Mouraria
Entrada
Espaço público
Como chegar
15 min
Até à próxima paragem850 m a pé, a subir pela Rua das Olarias

Foto: Filipe Rocha, CC BY-SA 3.0

Paragem 6Graça

Miradouro da Senhora do Monte

um dos miradouros mais altos de Lisboa

Ao lado do miradouro está a ermida de Nossa Senhora do Monte. A primeira ermida foi construída em 1147, depois da conquista de Lisboa, e dedicada a São Gens.

O terramoto de 1755 deixou-a quase destruída e a atual é de 1796. Daqui vê-se o castelo, a Baixa, o rio e a ponte. Boa paragem para respirar antes de descer a Alfama.

Curiosidades

  1. Diz a lenda que a cadeira de pedra de São Gens dava bom parto às grávidas que nela se sentassem.
  2. O olisipógrafo Norberto de Araújo achava este miradouro um dos mais deleitosos de Lisboa.

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Lisboa, Menina e Moça · Carlos do Carmo

A letra percorre a vista daqui: o castelo, Alfama, o Tejo e a Graça.

Letra e música de Ary dos Santos, Joaquim Pessoa, Fernando Tordo e Paulo de Carvalho

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Morada
Largo Monte, Graça
Entrada
Espaço público, acesso livre
Como chegar
13 min
Até à próxima paragem900 m a pé, pelo Largo da Graça

Foto: Vitor Oliveira, CC BY-SA 2.0

Paragem 7Alfama

Amália em calçada

o rosto de Amália por Vhils, em pedra

Em 2015 o artista Vhils desenhou o rosto de Amália em calçada portuguesa, numa rua de Alfama. Foi assente pedra a pedra por calceteiros da Câmara de Lisboa e da Escola de Calceteiros.

A obra nasceu com o disco Amália, As Vozes do Fado, uma homenagem dirigida por Ruben Alves. O retrato começa no chão e sobe pela parede como uma onda.

Curiosidades

  1. Vhils disse que a ideia era colaborar com os calceteiros, mais do que fazer uma obra sua.
  2. Parte do retrato está no chão, por isso olhe para baixo.

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Abandono · Camané

Do disco Amália, As Vozes do Fado, de 2015, o disco para o qual este retrato foi feito.

Letra e música de David Mourão-Ferreira e Alain Oulman

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Morada
Rua de São Tomé, Alfama
Entrada
Espaço público
10 min
Até à próxima paragem700 m a pé, pelo Campo de Santa Clara

Foto: Reis Quarteu, CC BY-SA 4.0

Paragem 8Alfama

Panteão Nacional

onde Amália está sepultada

A Igreja de Santa Engrácia começou a ser construída em 1682 e só ficou concluída em 1966. Daí vem a expressão obras de Santa Engrácia, para trabalhos que nunca mais acabam.

Desde 1916 que está destinada a Panteão Nacional. Amália foi trasladada para aqui a 8 de julho de 2001.

Curiosidades

  1. Segundo a Fundação Amália Rodrigues, foi a primeira mulher portuguesa com honras de Panteão Nacional.
  2. Também aqui estão Almeida Garrett, Sophia de Mello Breyner Andresen, Eusébio e, desde 2025, Eça de Queiroz.

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Povo que Lavas no Rio · Amália Rodrigues

Para ouvir aqui a voz de quem aqui está.

Letra e música de Pedro Homem de Mello e Joaquim Campos

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Morada
Campo de Santa Clara
Horário
Terça a domingo. Outubro a março, 10h00 às 17h00. Abril a setembro, 10h00 às 18h00
Entrada
10 €. Grátis até aos 12 anos
9 min
Até à próxima paragem550 m a pé, pelo Campo de Santa Clara

Foto: Vitor Oliveira, CC BY-SA 2.0

Paragem 9Alfama

Igreja de Santo Estêvão

a igreja que o fado cantou

No alto de Alfama, com um miradouro sobre o rio mesmo no adro. A igreja atual é de 1733, barroca, construída sobre um templo do século XII. Ficou danificada no terramoto de 1755 e reabriu em 1773.

O fado Igreja de Santo Estêvão, com letra de Gabriel de Oliveira e música de Joaquim Campos, lembra os fadistas que se juntavam no adro. Ficou na voz de Fernando Maurício.

Curiosidades

  1. É Monumento Nacional desde 1918.
  2. Ao contrário da maioria das igrejas, está orientada de norte para sul.

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Igreja de Santo Estêvão · Artur Batalha

O fado desta igreja, que ficou na voz de Fernando Maurício. Aqui na de Artur Batalha, outra voz da Mouraria.

Letra e música de Gabriel de Oliveira e Joaquim Campos

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Morada
Largo de Santo Estêvão, Alfama
Entrada
Adro e miradouro de acesso livre
Como chegar
4 min
Até à próxima paragem290 m a pé, pelo Largo de Santo Estêvão

Foto: Txemari, CC0

Paragem 10Alfama

Museu do Fado

a história do fado, em Alfama

Abriu em 1998 na antiga Estação Elevatória de Águas de Alfama, um edifício do século XIX que bombeou água para a cidade até 1938.

Conta a história do fado desde a Lisboa do século XIX, com guitarras, discos e as vozes que o fizeram. Em 2011 o fado entrou na lista do Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO.

Curiosidades

  1. Em 1869 foram instaladas no edifício duas máquinas a vapor para bombear a água.
  2. O museu tem também um roteiro online com os sítios do fado em Lisboa.

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Fama de Alfama · Ricardo Ribeiro

Um fado que defende o bairro do museu da fama que lhe davam.

Letra e música de Francisco Radamanto, Conde Sobral e José Lopes

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Morada
Largo do Chafariz de Dentro, 1
Horário
Terça a domingo, 10h00 às 18h00. Última entrada às 17h30
Entrada
5 €. Grátis até aos 12 anos
8 min
Até à próxima paragem500 m a pé, pela Rua de São João da Praça
Uma mesa à espera

Fado ao CarmoAlfama

Fado ao Carmo Alfama

fado ao vivo todas as noites

No coração de Alfama, a dois passos da Sé. Fado tradicional com fadistas profissionais, guitarra portuguesa e viola, e o menu do Chef António Saraiva, de cozinha portuguesa.

O fim do roteiro. Depois de um dia a andar atrás da história do fado, a noite é para o ouvir ao vivo.

Morada
Travessa do Almargem, 1B
Horário
Todos os dias, 19h30 às 02h00
Fado
Ao vivo a partir das 21h00
Fim do roteiro

No fim do passeio, uma noite de fado.

Chiado e Alfama, fado ao vivo todas as noites.

Fado ao Carmo Chiado

Rua da Condessa, 52
Todos os dias, 19h00 à 01h00
Fado ao vivo a partir das 20h30

Reservar Ver a casa

Fado ao Carmo Alfama

Travessa do Almargem, 1B
Todos os dias, 19h30 às 02h00
Fado ao vivo a partir das 21h00

Reservar Ver a casa

Guarde o roteiro ou envie a quem vem a Lisboa.

Factos confirmados em setembro de 2026 no Museu do Fado, na Fundação Amália Rodrigues, no Panteão Nacional, na Toponímia de Lisboa e no Património Cultural. Horários e preços podem mudar; confirme no site de cada sítio antes de ir. Tempos a pé do Google Maps.